A FAMÍLIA
Santo Antonio,
Santo Antonio,
pela sua natureza
foste até as cariocas
e entre princesas e dondocas
casaste com Santa Teresa.
Rosário dos Pretos tem irmã
mas não sabe onde esta mora.
Lá no Rio de Janeiro
sem turismo e sem dinheiro
sobrevive tal senhora.
O endereço de lá: Rua Uruguaiana.
O endereço de cá: Soteropolitana.
As irmãs são brasileiras
mas a mãe é africana
uma chamam de "mulata",
de maneira muito ingrata,
a outra chamam por "baiana".
O pai?
Mandingueiro!
Pandeirista e capoeira!
No Pelourinho deu aú
e fincou sua bandeira.
Na Lapa batucou
mas levou uma rasteira.
Recolheu seu patuá
e pediu seu pai Xangô:
"Proteja a Pequena África!
Proteja meus irmãos
como faz lá no Pelô!"
A família se espalhou entre boas e ruins
Entre chibatas e malês
Entre bambas e gourmets
Resistiu assim, assim.
Somos muitos os parentes
e só distância nos separa
pois todos os santos já benzeram,
sem dendê, mas com tempero,
as águas da Guanabara!
A bênção vem às terças
com batuque e oração.
Mas lá de cima, todo dia,
está São Sebastião.
E ajudando o carioca
no axé aos mizifi,
enredado de fitinhas
todas bem coloridinhas
o Sinhozinho do Bonfim.
Ó pai Xangô!
Ó pai Xangô!
Proteja a Pequena África!
Proteja nossos irmãos
como faz lá no Pelô!