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CALABOUÇO DO FLAMENGO
Direto do calabouço,
desembarquei acorrentado
sem mais dias de repouso
Sou preto, negro e pobre
andando na zona nobre
com a corda no pescoço
Difícil levar a vida
remedia, clarifica
mas não há esforço nosso
que esconda essa ferida.
É que a ferida não é nossa
não do pé e da mão grossa
que da cidade fez a vida
É da burrice,
branca, preta, qualquer cor
que tá na conta a dor
da ferida que eu disse
E não duvide:
Há muito tempo há quem goste,
de preto preso no poste
e a gente mesmo assim resiste!
Calabouço do Flamengo: Trabalhos
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