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VIOLÊNCIA NÃO NOS CALA

Os joelhos no meu pescoço

são as correntes no pescoço do meu anterior

São as 80 balas de fuzil no corpo da criança da minha cor

Oitenta. Por dia.

Antes do churrasco

Finalmente

basta,

eu não vou mais sucumbir ao joelho do carrasco

E te falo mais, quero que todos saibam.

Eu ainda posso respirar, espere por mim, eu não morri.

8.000.000 de tiros depois, desfigurado, sufocado... continuo aqui contra tudo e todos, não vai ser agora que vou parar de respirar.

Por todos os que foram sufocados até agora.

Por todos os que tiveram a carne dilacerada apenas por minha causa, uma criança negra de outrora.

Eu preciso respirar pra nunca esquecerem que outros não puderam.

Eu preciso estar de pé pra nunca esquecerem aqueles que foram derrubados

Preciso escrever pra lembrar a todos que nós, pretos, negros, nós não vamos deixar que esqueçam que nós estamos vivos, apesar de nos matarem.

Não vamos parar de respirar apenas porque essa é a palvra de ordem

“Eu não posso respirar” não é uma metáfora para o momento político.

É frase que meu espelho gritou antes de morrer

E eu me vi chamando pela minha mãe também.

É a frase que aperta a garganta negra de um lado ao outro do Oceano Atlântico, em qualquer idioma

Por todas mães negras e àquelas com filhos negros, pela minha

Pelo meu pai e todos os meus espelhos, do passado, do presente e do futuro

E também pelos indígenas, nossos irmãos

Eu preciso continuar respirando, contra tudo e contra todos

Simplesmente porque ao contrário do que eles querem fazer crer

negro é vida

E é assim que seremos lembrados.

Mesmo após a morte.

Violência não nos cala: Trabalhos

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